1. Colleen Delaney, Shelly Heimfeld, Carolyn Brashem-Stein, Howard Voorhies, Ronald L Manger & Irwin D Bernstein. Notch-mediated expansion of human cord blood progenitor cells capable of rapid myeloid reconstitution. Nature Medicine, published online 17 January 2010.
Pesquisadores do Fred Hutchinson Cancer Research Center desenvolveram um sistema de cultura para células-tronco do sangue de cordão umbilical, usando uma estratégia de expansão em laboratório, a qual aumenta a eficácia da reconstituição da medula óssea.
O estudo demonstrou rápida reconstituição hematopoética em modelos animais e em estudos clínicos de fase 1 com pacientes tratados com quimioterapia.
Segundo os especialistas, a estratégia pode levar a resultados clínicos que permitirão reduzir a morbidade e mortalidade nessas doenças.
Em estudo publicado na revista Nature Medicine, Colleen Delaney e seus colegas do Fred Hutchinson Cancer Research Center descrevem uma técnica que permite a expansão in vitro, em larga escala, das células-tronco obtidas do sangue de cordão umbilical, que foram depois infundidas em pacientes com leucemia e resultaram em uma bem sucedida e rápida recuperação medular.
O número limitado de células-tronco no sangue de cordão umbilical tem sido uma das razões para que o transplante do sangue de cordão umbilical leve à uma recuperação da medula óssea mais lenta e tenha uso mais restrito em adultos, devido ao maior peso. Quanto mais longa a recuperação da medula óssea, maior o risco de que os pacientes, que estão com o sistema imune comprometido, adquiram infecções oportunistas.
De acordo com a Dra. Delaney, a importância desse estudo está no fato de que a expansão das células-tronco do sangue de cordão umbilical pode ser feita sem que aconteça a diferenciação das células – elas são expandidas, mas continuam com as características de células-tronco, sem se diferenciarem. Quando infundidas nos pacientes, essas células rapidamente dão origem a leucócitos e outros componentes do sistema sanguíneo.
A expansão das células foi possível com o uso de uma proteína capaz de ativar a proliferação das células-tronco, sem diferenciação. Esta técnica foi desenvolvida pelo Dr. I. Bernstein, do mesmo Instituto de pesquisa e publicada em 2000. Uma década de pesquisa levou à bem sucedida passagem do laboratório para a clínica.
O método foi capaz de aumentar 164 vezes o número de células CD 34+, uma célula-tronco multipotente que dá origem a todas as células do sangue e que está presente no sangue de cordão umbilical.
O estudo descreve ainda o resultado da infusão dessas células em 10 pacientes que receberam duas unidades de sangue de cordão para tratar leucemias agudas de alto risco. Cada paciente recebeu uma unidade de células-tronco não manipulada e uma unidade de células-tronco expandida em laboratório.
Os pesquisadores avaliaram a segurança da infusão das células expandidas, assim como o tempo de reconstituição do sistema sanguíneo, o tempo de duração do transplante e quais as células-tronco que contribuíram mais para a reconstituição.
Os resultados mostraram que as células expandidas diminuíram o tempo de reconstituição em uma semana. Sete dos 10 pacientes estão vivos, sem evidência da doença e sem reação de rejeição das células infundidas.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
Células de Sangue de cordão Umbilical Humano Originam Células Produtoras de Insulina
Neste estudo os autores investigam células-tronco derivadas de sangue de cordão umbilical humano (SCUH) e apresentam sugestões dos mecanismos pelos quais estas células levariam a regeneração das células produtoras de insulina.
Células derivadas de Sangue de cordão Umbilical Humano Originam Células Produtoras de Insulina In Vivo
Yoshidaa, S e col. Human Cord Blood–Derived Cells Generate Insulin-Producing Cells in Vivo. Stem Cells, Vol. 23 No. 9 October 2005, pp. 1409-1416.
Para reduzir a necessidade de transplante de órgãos em pacientes com diabetes os pesquisadores tentam identificar células-tronco progenitoras que possam, fisiologicamente, produzir insulina em resposta à glicose.
Células-tronco embrionárias têm sido largamente estudadas com base em sua capacidade multipotencial. Células produtoras de insulina derivadas de embrião murino e humano in vitro já foram descritas. Entretanto os métodos analíticos de produção de insulina in vitro pelas células-tronco embrionárias têm sido questionados. Além disso, o risco de formação de teratomas e as questões éticas podem limitar o uso clínico dessas células.
A descrição de células mesenquimais derivadas de Células-tronco de Medula Óssea na reconstituição de células beta pancreáticas em transplantes singenêico ou alogenêico no modelo murino data de 1995.
Ianus, em 2003, mostrou a produção de insulina por células derivadas de M.O. em camundongos diabetes-induzidos, por um mecanismo independente de fusão. Entretanto, os modelos de regeneração hepática com o uso de células-tronco derivadas de M.O. parecem ocorrer através da fusão.
Neste estudo os autores investigam células-tronco derivadas de sangue de cordão umbilical humano (SCUH) e apresentam sugestões dos mecanismos pelos quais estas células levariam a regeneração das células produtoras de insulina.
Células Mononucleares derivadas de SCUH (depletadas de céls. T) foram transplantadas em camundongos recém-nascidos que apresentavam diabetes severa combinada com imunodeficiência/beta2 – microglobulinemia (sem células T, B maduras e baixa atividade de células NK). Neste transplante foi possível identificar a presença de células produtoras de insulina com cromossomos humanos no tecido pancreático.
Usando a técnica de Hibridização in situ com dupla fluorescência (FISH) por meio de marcadores espécie-específicos, os autores determinaram que o mecanismo de reparo possuía uma via dependente de fusão celular e outra via independente de fusão celular em níveis equivalentes.
Os autores demonstraram que as células produtoras de insulina são geradas a partir de células-tronco do SCUH In Vivo como evidenciado pela presença de insulina humana (RNA) e de células-insulina positivas com cromossomos humanos in situ.
As análises com FISH duplo sugerem que a geração de células humanas derivadas de SCUH, produtoras de insulina pode se dar tanto pelo mecanismo dependente de fusão como independente.
Este resultado permitiu que os autores concluíssem que a produção in vivo de células-produtoras de insulina pode encorajar o uso futuro da medicina regenerativa no tratamento da diabetes mellitus
Células derivadas de Sangue de cordão Umbilical Humano Originam Células Produtoras de Insulina In Vivo
Yoshidaa, S e col. Human Cord Blood–Derived Cells Generate Insulin-Producing Cells in Vivo. Stem Cells, Vol. 23 No. 9 October 2005, pp. 1409-1416.
Para reduzir a necessidade de transplante de órgãos em pacientes com diabetes os pesquisadores tentam identificar células-tronco progenitoras que possam, fisiologicamente, produzir insulina em resposta à glicose.
Células-tronco embrionárias têm sido largamente estudadas com base em sua capacidade multipotencial. Células produtoras de insulina derivadas de embrião murino e humano in vitro já foram descritas. Entretanto os métodos analíticos de produção de insulina in vitro pelas células-tronco embrionárias têm sido questionados. Além disso, o risco de formação de teratomas e as questões éticas podem limitar o uso clínico dessas células.
A descrição de células mesenquimais derivadas de Células-tronco de Medula Óssea na reconstituição de células beta pancreáticas em transplantes singenêico ou alogenêico no modelo murino data de 1995.
Ianus, em 2003, mostrou a produção de insulina por células derivadas de M.O. em camundongos diabetes-induzidos, por um mecanismo independente de fusão. Entretanto, os modelos de regeneração hepática com o uso de células-tronco derivadas de M.O. parecem ocorrer através da fusão.
Neste estudo os autores investigam células-tronco derivadas de sangue de cordão umbilical humano (SCUH) e apresentam sugestões dos mecanismos pelos quais estas células levariam a regeneração das células produtoras de insulina.
Células Mononucleares derivadas de SCUH (depletadas de céls. T) foram transplantadas em camundongos recém-nascidos que apresentavam diabetes severa combinada com imunodeficiência/beta2 – microglobulinemia (sem células T, B maduras e baixa atividade de células NK). Neste transplante foi possível identificar a presença de células produtoras de insulina com cromossomos humanos no tecido pancreático.
Usando a técnica de Hibridização in situ com dupla fluorescência (FISH) por meio de marcadores espécie-específicos, os autores determinaram que o mecanismo de reparo possuía uma via dependente de fusão celular e outra via independente de fusão celular em níveis equivalentes.
Os autores demonstraram que as células produtoras de insulina são geradas a partir de células-tronco do SCUH In Vivo como evidenciado pela presença de insulina humana (RNA) e de células-insulina positivas com cromossomos humanos in situ.
As análises com FISH duplo sugerem que a geração de células humanas derivadas de SCUH, produtoras de insulina pode se dar tanto pelo mecanismo dependente de fusão como independente.
Este resultado permitiu que os autores concluíssem que a produção in vivo de células-produtoras de insulina pode encorajar o uso futuro da medicina regenerativa no tratamento da diabetes mellitus
Progenitores em Sangue de Cordão Umbilical Humano: O Potencial dessas células se tornarem Neurônios
Os autores estudam a fração mononuclear das células de sangue de cordão umbilical humano. Separam duas sub-populações celulares e as caracterizam pela morfologia, viabilidade celular, proliferação e expressão de antígenos de superfície neuronais e hematopoéticos. Concluem que estas células tem potencial para se diferenciar em neurônios.
Progenitores em Sangue de Cordão Umbilical Humano: O Potencial dessas células se tornarem Neurônios 1
A fração mononuclear do sangue de cordão umbilical Humano (SCUH) contém um número significativo de células-tronco ou progenitoras, as quais em teoria poderiam originar qualquer tipo de célula do corpo, incluindo neurônios. Levando em consideração, que a transdiferenciação parece ser um evento extremamente raro e que existe uma superposição da programação genética para hematopoese e para neuropoese, Chen e colaboradores fizeram uma análise da morfologia, viabilidade celular, proliferação e expressão de antígenos neuronais e hematopoéticos na fração mononuclear de células de SCUH. Eles obtiveram duas populações celulares uma aderente e outra não-aderente. A fração de células aderentes era composta, principalmente, por linfócitos (53%) que expressavam antígenos hematopoéticos. Após replaqueamento, a população não-aderente apresentava um grande número de células que expressavam antígenos de células-tronco. A maioria das células nesta sub-fração apresentava proteínas neuronais. Receptores para neurotrofina, trkB e trkC estavam presentes nas duas frações celulares, embora a expressão tenha se revelado mais intensa na fração não-aderente. Os autores concluem que esta caracterização é sugestiva de que existe uma sub-população de células na fração mononuclear do sangue de cordão umbilical humano, que aparenta ter potencial para se converter em neurônio, o que a tornaria útil no desenvolvimento de terapias celulares para a lesão cerebral.
1- Human Umbilical Cord Blood Progenitors: The Potential of These Hematopoietic Cells to Become Neural NChen, JEHudson, PWalczak, IMisiuta, SGarbuzova-Davis,a LJiang, JSanchez-Ramos,a PR. Sanberg,a, T Zigova,–A E. Willinga Stem Cells 2005; 23:1560–1570.
Progenitores em Sangue de Cordão Umbilical Humano: O Potencial dessas células se tornarem Neurônios 1
A fração mononuclear do sangue de cordão umbilical Humano (SCUH) contém um número significativo de células-tronco ou progenitoras, as quais em teoria poderiam originar qualquer tipo de célula do corpo, incluindo neurônios. Levando em consideração, que a transdiferenciação parece ser um evento extremamente raro e que existe uma superposição da programação genética para hematopoese e para neuropoese, Chen e colaboradores fizeram uma análise da morfologia, viabilidade celular, proliferação e expressão de antígenos neuronais e hematopoéticos na fração mononuclear de células de SCUH. Eles obtiveram duas populações celulares uma aderente e outra não-aderente. A fração de células aderentes era composta, principalmente, por linfócitos (53%) que expressavam antígenos hematopoéticos. Após replaqueamento, a população não-aderente apresentava um grande número de células que expressavam antígenos de células-tronco. A maioria das células nesta sub-fração apresentava proteínas neuronais. Receptores para neurotrofina, trkB e trkC estavam presentes nas duas frações celulares, embora a expressão tenha se revelado mais intensa na fração não-aderente. Os autores concluem que esta caracterização é sugestiva de que existe uma sub-população de células na fração mononuclear do sangue de cordão umbilical humano, que aparenta ter potencial para se converter em neurônio, o que a tornaria útil no desenvolvimento de terapias celulares para a lesão cerebral.
1- Human Umbilical Cord Blood Progenitors: The Potential of These Hematopoietic Cells to Become Neural NChen, JEHudson, PWalczak, IMisiuta, SGarbuzova-Davis,a LJiang, JSanchez-Ramos,a PR. Sanberg,a, T Zigova,–A E. Willinga Stem Cells 2005; 23:1560–1570.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Bioengenharia no Tratamento das Vias Aéreas.
Os defeitos críticos de longa extensão das vias aéreas representam um grande desafio para os médicos e cirurgiões, pois poucos são os tratamentos eficazes. Diversas alterações resultam na remoção de um dos pulmões, diminuição da qualidade de vida do paciente e altas taxas de mortalidade pós-cirúrgica.
Utilizando uma técnica inovadora de bioengenharia, o grupo do Professor Paolo Macchiarini**, da Universidade de Barcelona, conseguiu realizar o tratamento de uma paciente de 30 anos que apresentava o quadro de estenose do brônquio esquerdo. Os pesquisadores utilizaram banhos específicos para a remoção das células do fragmento de 7 cm do brônquio de uma doadora, e sobre a matriz cultivaram condrócitos derivados das células mesenquimais da medula óssea e células epiteliais do brônquio normal. Todas as células utilizadas foram autólogas. Após 3 meses de cirurgia, a paciente apresenta quadro clínico normal. O tecido implantado não sofreu rejeição e apresenta todas as características mecânicas normais.
** Macchiarini P, Jungebluth P, Go T, Asnaghi MA, Rees LE, Cogan TA, Dodson A, Martorell J, Bellini S, Parnigotto PP, Dickinson SC, Hollander AP, Mantero S, Conconi MT, Birchall MA. Clinical transplantation of a tissue-engineered airway. Lancet. 2008 Nov 18. Publicado online.
Utilizando uma técnica inovadora de bioengenharia, o grupo do Professor Paolo Macchiarini**, da Universidade de Barcelona, conseguiu realizar o tratamento de uma paciente de 30 anos que apresentava o quadro de estenose do brônquio esquerdo. Os pesquisadores utilizaram banhos específicos para a remoção das células do fragmento de 7 cm do brônquio de uma doadora, e sobre a matriz cultivaram condrócitos derivados das células mesenquimais da medula óssea e células epiteliais do brônquio normal. Todas as células utilizadas foram autólogas. Após 3 meses de cirurgia, a paciente apresenta quadro clínico normal. O tecido implantado não sofreu rejeição e apresenta todas as características mecânicas normais.
** Macchiarini P, Jungebluth P, Go T, Asnaghi MA, Rees LE, Cogan TA, Dodson A, Martorell J, Bellini S, Parnigotto PP, Dickinson SC, Hollander AP, Mantero S, Conconi MT, Birchall MA. Clinical transplantation of a tissue-engineered airway. Lancet. 2008 Nov 18. Publicado online.
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